Sonhos Cor de Violeta

Capitulo 1 – A partida de Violet

Uma bela moça de caracóis longos e negros, chamada Violet Dawson, seus olhos por vontade divina eram violetas com um semblante triste, pele tão branca quanto a neva, quem a via pela primeira vez achava que era uma alma perambulando pelo mundo vivendo em tormento por não ter seu descanso eterno. O corpo era magro e suas feições delicadas.

Eram 02h30min da madrugada, Violet não conseguia dormir, tiveram um pesadelo tão terrível que desistira de cair no sono. Revirava–se na cama a cada segundo que passava, por fim, se levantou e foi até sua escrivaninha onde, abriu um dos livros que ali estavam, era presente do seu falecido avô, a quem ela tinha um enorme carinho.

Folheando o velho livro, encontrou um envelope com aparência meio antiga. Quando a abriu procurou pelo dia que tinha sido escrita e, datava do dia que ela tinha nascido exatamente há 16 anos. Ela respirou profundamente e foi se preparando para ler a carta direcionada a ela.

Minha querida Violet,

Se estiver lendo essa carta é por que, hoje é teu 16º aniversário. Querida, no dia que tu nasceste teus pais não tinha ideia de que nome te dar, eu olhei bem pra ti e vi seus perfeitos olhos cor de violeta, decidi por mim mesmo que este seria seu nome… Violet.

Vossa mãe não gostou e no começo queria te dar o nome de Elizabeth, eu que não permitiria tal coisa. No amanhecer seguinte disse que te levaria pra passear e acabei indo registrar você querida. Vossa mãe ficou louca ao saber do que fiz, eu apenas ri da cara dela, seu pai não fez nada, mas estava tentando conter o riso.

Mas querida, eu estou te entregando junto com esta carta um testamento que fiz assim que nasceste. Onde estou a entregar-te tudo o que tenho, as minhas terras, meus animais, minha velha casa, tudo minha querida Violet. Espero que faça proveito de tudo, não fale nada para teus pais, espere chegar aos seus 18º aniversário para que possa tomar posse das terras oficialmente.

Por fim Violet, feliz aniversário minha querida neta, a única neta que tive que amou esse velho corcel cansado. Um abraço minha querida, aproveite suas terras e também espero que goste destes livros, você adorava quando eu os lia para você dormir.

Abraços de seu avô,

Antônio.

Violet leu emocionada a carta que fora seu melhor presente, a única coisa que a deixava triste era que seu avô faleceu no seu aniversário após ter lhe dito “Parabéns, minha querida violeta”. Violet, mesmo assim sorriu e agradeceu silenciosamente pelo presente que o avô a deixou. Finalmente sentiu sono e foi dormir com o coração tão leve quanto uma pluma de ganso.

Quando amanheceu, Violet desceu as escadas de seu quarto cantarolando a música favorita de seu avô. Quando notou que estava perto da sala de refeições parou de cantarolar e fez um semblante tristonho, seus parentes e seus pais estavam na sala comendo como se nada tivesse acontecido e como se o rosto supostamente deprimido de Violet não fosse nada.

A pobre garota era conhecida por aquelas terras de “Violet, a triste dama”, nunca dera um sorriso para ninguém apenas para seu avô. Ele sempre a via sorrindo e rindo, Violet se sentou e foi procurando seu café. Assim que juntou tudo para seu desjejum seu pai se levantou e todos pararam de comer para escuta–ló falar.

–Violet. –Ela respondeu com uma voz baixa.

                –Sim papai… –Não encarava o pai de maneira nenhuma. 

                –Eu quero te dizer que, como já chegaste aos teus 16 anos já está na idade de procurar um noivo e com isso eu e vossa mãe, providenciamos um. –Ela, ficou incrédula com o anúncio do pai… Um noivo? Para que isso?

                –Eu… Eu… Não quero um noivo… –Todos encararam perplexos, pois ela nunca dizia não para o pai. 

                –O que disse Violet? –Sua mãe levantou a voz, já irritada. Violet recebeu um sopro de coragem, levantou a cabeça e encarou os pais seriamente. 

                –Eu não quero um noivo! Eu quero viver! –O forte som de um tapa pode ser ouvido por toda a casa, Violet tinha uma marca de mão no rosto… Sua mãe que tinha lhe dado o tapa, ela estava paralisada e incrédula com o que tinha acabado de acontecer consigo. 

                –Garota insolente! Na tua idade, minha mãe tinha me arranjado teu pai como noivo! Queres ou não Violet, você terá um noivo e basta desta conversa!–Os olhos de Violet se encheram de lágrimas e a mesma saiu para o corredor chorando. 

                –Por que fez isto com ela Josefina? Não deverias dar uma tapa no rosto dela, sabe que ela fica com roxos na pele facilmente!

                –Ela mesma mereceu! Tão insolente isso foi o maldito do teu pai que ensinou isso para ela! Ainda bem que ele já se fora! –Agora quem levou uma tapa, foi à mãe de Violet. O pai da jovem estava visivelmente irritado com a fala da esposa, onde já se vira tamanha falta de respeito com um falecido?

                –Prestaste atenção mulher, se não fosse por meu pai você nunca teria nada do que tens agora! Insolente é você! –Com isso Violet correu para a sala onde ainda estava sendo velado o corpo do avô, e se escondeu atrás da poltrona do pai dela. 

                –Pai… Por que morreste logo no aniversário de Violet? Não sabia que te amava muito? Por que veio deixa–lá sozinha? Eu ia deixa–lá com o senhor para que a mãe parecesse de maltrata–lá tanto… –Violet sentiu que, seu pai estava sendo sincero a cada palavra. Sentiu um conforto no coração. 

                –Mesmo assim meu pai ei de leva–lá para tua casa, deixarei ela aos cuidados da governanta. Eu mesmo não queria que minha Violet fosse ficar noiva… –Violet sorriu, logo saiu na ponta dos pés para o pai não a ouvir, mas o pai viu a saia do vestido da filha passando em frente à porta e a chamou.

                –Violet?

                –Sim papai? –Veio ela ainda com a mão no rosto. Seu pai tirou a mão do rosto da filha e viu como tinha ficado vermelho e deu um beijo leve. 

                –Espero que esqueças o que tua mãe te fez filha… Eu mesmo estava dizendo ao seu avô, não queria que você ficasse noiva…

                –Então, por que estou indo ficar noiva papai? –Ela perguntou com os olhos ainda cheios de lágrimas. 

                –Eu… Nunca vi um sorriso em teu rosto Violet, teu avô vivia me dizendo: “Como assim ela não sorri? Comigo ela vive sorrindo!”, eu sempre quis saber como é o riso da minha filha mulher mais velha… –Violet sentiu um aperto no peito e levantou a cabeça do pai com as pequenas mãos. 

                –Papai, nesta casa, eu vivo meu tempo muito infeliz… Com o vovô, eu vivia fazendo coisas que me alegravam a alma… Viva pelos campos com ele ia ver os empregados cuidando dos animais dele e tudo mais… Aqui, faço nada disso…

                –Então querida, acabo por ter uma ideia. Vou levar–te para a casa de teu avô, antes do noivo que tua mãe escolheu para você venha! Seu avô me dizia que ia deixar a fazenda dele para você querida…

                Violet abraçou o pai e o ouvi dizer em seu ouvido para arrumar todas as suas coisas, pois iria ela se mudar para a casa do avô imediatamente. Arrumou todas as malas e preparou tudo para ir embora daquela casa que tanto a fazia mal. Quando deu a hora que o pai de Violet disse que ela iria embora, a mesma trocou de roupa e foi descendo as escadas devagar com a ajuda do pai carregando as malas.

                Passaram sem serem vistos pelos familiares e nem pela mãe de Violet e a carruagem já estava pronta para a partida da garota. Assim que subiu na carruagem, Violet pôs a cabeça para fora da janela e falou com o pai, que ainda era querido por ela, agradeceu de todo o coração, e antes de ir, realizou o desejo do pai… Deu o sorriso mais feliz que podia e a risada mais satisfatória que poderia dar, o pai chorou ao ver o sorriso e ao escutar o riso da filha pela primeira vez.

                O pai mandou o cocheiro ir, Violet ainda acenou pela janela agradecendo baixo pelo que o pai fez por ela. Ele não se importava se ela fosse se casar ou não, apenas queria filha feliz e se para isso seria necessário que fosse embora de sua casa, ele faria. De dentro da casa escutaram o relinchar dos cavalos e todos correram para as janelas e viram Violet indo embora e o pai se despedindo.

A mãe em desespero mandou que fossem atrás da menina, mas os empregados disseram que era ordem do patrão deixar a menina ir. A mãe da garota irritada foi atrás do marido para saber por que ele deixou a menina ir. Quando foi olhar no rosto do marido, ela o ver chorando com um sorriso no rosto e por fim disse.

 –Minha querida Violet, se você quer viver tua vida, viva… E seja feliz minha linda garotinha… –E dentro da carruagem Violem estava dormindo, sonhando chegando à casa do seu falecido avô, que agora era sua…

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