Sou uma mulher madura
Martha Medeiros
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura
Eu como mulher, cresci sendo sempre lembrada de que devo trabalhar e ter meu proprio dinheiro para não precisar de homem para me sustentar, isso na visão da minha mãe. Já ao ver de meu pai, eu devo saber me defender, seja na fala ou na “força bruta”, ou seja, só levanto a mão se for realmente necessário. Sim, eu cresci sabendo que poderia bater nas pessoas contanto que fosse minha última opção… Por isso devia saber me defender verbalmente, para não recorrer a violencia.
Minha mãe me criou para ser uma moça de casa, já meu pai, como só tinha eu, me fez crescer aprendendo a usar ferramentas enquanto o ajudava com as coisas de casa. Quando cresci tive que optar por um dos caminhos que me foi proposto, o de ser uma “dama” independente financeiramente ao ver de minha mãe ou ser uma mulher que sabe se virar tão bem sozinha que não se importa de sujar as mãos, recém feitas, para trocar o pneu do carro. Optei pelo caminho mais “bruto”, onde eu tenho dentro da gaveta de minha escrivaninha um pequeno conjunto de chave de fenda, que a cabeça pode ser trocada de acordo com minha necessidade. Onde eu tenho minha propria caixa de ferramentas, pelo menos alguns alicates, alicante de bico fino, de corte, umas chaves de boca, de roda, de fenda…
Decidi crescer sabendo usar ferramentas, porém não sabendo usar direito um fogão, que não seja além de fritar ou cozinhar um ovo… Acredito que para meu ser, as ferramentas são mais interessantes do que aprender a cozinhar meu proprio almoço. Eu não nego, de fogão, sou uma pessima piloto.
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